Basílica Menor de Santo Antônio do Embaré
Ordem dos Frades Menores Capuchinhos
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Diocese de Santos
Há 103 anos, a comunidade do Embaré recebeu um marco fundamental de sua história de fé: a criação da Paróquia Santo Antônio do Embaré. Com a vinda dos frades capuchinhos para Santos, a paróquia foi criada em 22 de dezembro de 1922, desmembrada da Paróquia do Imaculado Coração de Maria. Em 19 de fevereiro de 1923, Frei Ângelo Maria do bom conselho de Taubaté foi empossado como o primeiro pároco.
Ao longo desses anos, a pequena Capela transformou-se em Basílica e hoje é reconhecida como importante patrimônio histórico, artístico e cultural de Santos e do Brasil. Sua arquitetura neogótica, os afrescos de Pedro Gentili e rica memória viva que remonta à capela original de 1875 fazem do lugar um santuário onde fé, arte e história se encontram.
Para celebrar essa data tão significativa, houve Missa em Ação de Graças, presidida pelo Ministro Provincial, Frei Maurício dos Anjos, seguida pela inauguração do Centro Pastoral. Em clima de alegria, o provincial saudou aos fiéis e aos confrades Frei Paulo, Frei Eduardo e Frei Ernani, recordando que esta Basílica é expressão viva da presença missionária capuchinha e da caminhada do povo de Deus em Santos.
“Hoje, nossos corações se enchem de gratidão e alegria ao celebramos 103 anos. Podemos afirmar que a nossa Basílica atravessou gerações como casa de oração, de encontro, de consolo e de missão. E, ao mesmo tempo, hoje, inauguramos o nosso novo Centro Catequético, fruto do esforço de cada um de vocês. O pouco de cada um tornou-se muito na vida desta comunidade”, destacou.
AGRADECIMENTO
O provincial agradeceu de modo especial aos confrades frei Paulo, frei Eduardo e frei Ernani pela dedicação, pelo cuidado, pelo esforço pastoral: “Vocês construíram juntos este bonito Centro Catequético, sinal concreto de que esta comunidade continua viva, em saída, olhando para o futuro com esperança”.
Frei Maurício lembrou que na paróquia, solo sagrado, passaram vários frades capuchinhos da Província de São Paulo e do Chile, junto com tantos irmãos e irmãs, povo de Deus e devotos de Santo Antônio de Pádua, do Embaré. Todos, peregrinos de esperança. “Queremos dar graças a Deus por todos os homens e mulheres que, juntos, construíram e continuam construindo esta comunidade”, prosseguiu.
Durante a homilia, à luz do Evangelho de São Lucas, Frei Maurício conduziu a assembleia à contemplação do Magnificat. Como Maria, que transformou sua experiência de fé em louvor, a comunidade foi convidada a fazer memória agradecida da ação de Deus ao longo da história. “A fé se torna verdadeira quando nasce da gratidão. Maria recorda o que Deus fez, faz e continuará fazendo. E nós, ao celebrarmos estes 103 anos, somos chamados a recordar e agradecer. É profundamente iluminador para este momento em que estamos celebrando 103 anos de anúncio do evangelho, da alegria, nesse dia. E que vamos, juntos, abençoar e inaugurar o nosso centro catequético. Diante da ação surpreendente de Deus em sua vida, Maria não se fecha em si mesmo”.
Frei Maurício recordou ainda as inúmeras preces silenciosas feitas diariamente na Basílica, quando pessoas entram para rezar, tocar as paredes e confiar suas dores e esperanças. “Quantas lágrimas foram enxugadas neste lugar? Quantas famílias encontraram força por meio do sacramento da confissão, da unção dos enfermos, de uma bênção ou de uma simples oração?”, questionou.
O provincial também lembrou as vocações que nasceram a partir desta comunidade. “Quantos frades, padres e religiosas surgiram desta terra, deste lugar? E creio que continuarão surgindo”, afirmou, citando nomes como Frei Giovanni e Frei George Mateus.
Para Frei Maurício, a Basílica é como o próprio Magnificat: um cântico vivo erguido não apenas por pedras, mas pelas histórias de fé simples e perseverantes do povo de Deus. Ele recordou que Deus olha para os pequenos e escolhe o que parece insignificante para realizar sua obra: “Deus não desiste de nós. Às vezes somos nós que desistimos de nós mesmos. No presépio, Deus nos diz: ‘Eu acredito em você. Você faz diferença’”.
Ele lembrou que Deus olha sempre para os pequenos: “Não se esqueçam disso, sempre olha para os pequenos. Ele escolhe o que aparentemente é insignificante para ressignificar. Deus continua escolhendo você e eu para continuar sua obra”.Frei Maurício explicou que Deus não precisa de nós, mas não quer perder nenhum de nós. E é isso que celebramos no Natal, a insistência de Deus por nos amar. Deus não desiste de nós, mas às vezes a gente desiste de nós mesmos. “Olhar para o presépio é sentir Deus falando: ‘Eu acredito em você. Você é único, você faz a diferença na vida da nossa comunidade. Ele nos ama porque nos ama, nos quer, porque nos quer. Ele não faz barganha, não faz troca. Nós, às vezes, mas Ele, nunca, porque nos ama’”, prosseguiu.
MENSAGEM
Ao recordar os 103 anos da comunidade, o provincial ressaltou que a Paróquia nasceu da simplicidade, do esforço e da fé de cada um. Santo Antônio, que dá o nome à Basílica, foi testemunho vivo dessa mesma lógica do evangelho: Humildade, proximidade com os pobres e total confiança em Deus.
O Magnificat é assim: revela um Deus que transforma a história. Depondo do trono os poderosos, enchendo de bens os famintos.
“Que esta comunidade continue dizendo sim, a Deus. aos trabalhos pastorais nas comunidades. Que, como Santo Antônio, continuemos anunciando a Cristo com palavras, mas também com obras. Que nossas vidas continuem expressando as atitudes do Magníficat: louvor, gratidão, confiança e esperança em Deus”, disse o Ministro Provincial.
O frei desejou que a celebração festiva sirva de motivação para que continuemos caminhando com Maria e com Santo Antônio. “Maria termina seu canto proclamando a fidelidade de Deus ao longo das gerações. Hoje, confiamos o passado, o presente e o futuro desta Basílica e da presença capuchinha à intercessão de Maria e de Santo Antônio, nosso padroeiro e amigo dos pobres, anunciador do evangelho e construtor de pontes e de paz e de justiça e de solidariedade.
CENTRO PASTOAL: BERÇO DE FÉ
Logo após a Missa Solene, os fiéis foram convidados para a inauguração do Centro Pastoral, ao lado da Basílica, que recebeu a bênção do Ministro Provincial. Nosso pároco e reitor Frei Paulo agradeceu a todos e lembrou que o espaço é fruto de sete anos de trabalho árduo, com o empenho dos paroquianos. E que o sonho se tornou realidade pelo esforço incansável de voluntários, pela partilha e pela confiança perseverante da comunidade, especialmente nas quermesses e na tradicional venda de pastéis.
A leitura da placa comemorativa, realizada por Fernando Gregório, irmão da Ordem Franciscana Secular, foi seguida de coquetel oferecido como gesto de gratidão pelo esforço, trabalho e confiança dos paroquianos no projeto.
Retomando as palavras de sua homilia, Frei Maurício recordou que “a Igreja não é apenas um templo onde se reza, mas uma comunidade que educa, celebra e partilha a vida”. Segundo ele, a catequese forma pela vivência dos símbolos, as festas fortalecem os laços e os encontros constróem a comunhão. “Que este novo espaço seja um verdadeiro berço de fé, onde se aprenda a amar a Palavra de Deus, a viver a fraternidade e a assumir o compromisso cristão com uma sociedade mais justa, solidária e fraterna”, afirmou.
O Centro Pastoral, destacou o provincial, não existe para a ostentação, mas para servir à catequese, à formação da fé, à convivência fraterna e à evangelização de crianças, jovens, famílias e idosos. “Que seja uma casa de portas abertas para todos, sem exceção. Continuamos sendo chamados a ser uma Igreja que educa, celebra e partilha”, concluiu.