Basílica Menor de Santo Antônio do Embaré
Ordem dos Frades Menores Capuchinhos
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Diocese de Santos
A Solenidade de Corpus Christi é celebrada na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade. A data celebra o Sacramento da Eucaristia e nos recorda o momento em que Jesus, na Última Ceia, partilhou o pão e o vinho com seus discípulos, declarando que estes eram o seu Corpo e o seu Sangue. A comunidade do Embaré, este ano, celebrou Corpus Christi em comunhão com o 5º dia da trezena a seu padroeiro, com o tema “Santo Antônio leva-nos a amar o Cristo Eucarístico”.
A celebração foi presidida pelo nosso pároco e reitor, Frei José Edison Biazio, que, em sua reflexão, destacou a profunda relação de Santo Antônio com a Eucaristia. Para o santo, a Eucaristia é o verdadeiro alimento que transforma a Palavra em ação e une os fiéis em um só Corpo. Conhecido como Doutor Evangélico, Santo Antônio ensinava em seus sermões que a Sagrada Escritura e o Sacramento do Altar caminham juntos. Para ele, a Palavra de Deus se faz carne na Eucaristia.
“Todo o caminho pelo qual o Senhor nos conduz nos faz recordar que Ele saciou a fome do seu povo no deserto com o maná. Santo Antônio argumenta que o verdadeiro maná de que o ser humano necessita é a Palavra divina e a graça de Deus. Quando atravessamos a fome espiritual nos desertos da vida, Deus nos atrai para si e nos mostra que não vivemos apenas do pão material, mas de tudo o que sai de sua boca”, ressaltou o sacerdote.
O frei explicou ainda que Santo Antônio nutria profundo amor pelo Sacramento Eucarístico e defendia fervorosamente a presença real de Cristo na Eucaristia. Para ele, a Eucaristia é a verdadeira comida e o Sangue de Cristo é a verdadeira bebida. O fruto da comunhão é a unidade do Corpo, pois todos participam do mesmo pão. A Eucaristia, portanto, é o sacramento da unidade, ponto central da teologia de Santo Antônio.
A caridade, a humildade e a paciência, destacou o sacerdote, são frutos indispensáveis de uma comunhão autêntica. “Se recebemos o pão e o vinho e não praticamos a justiça, nossa fé torna-se estéril como a figueira que possuía apenas folhas”, disse o pároco. Para que o mistério da Eucaristia opere em nós, Santo Antônio nos convida ao recolhimento interior. É necessário fechar as portas da alma aos ruídos do mundo e abrir o coração para adorar o Senhor.
“Hoje nos reunimos em nossa paróquia não para receber uma sombra, mas a própria realidade: o Pão Vivo descido do céu, Corpo e Sangue, vida doada por amor e somente por amor. A presença real de Jesus na Eucaristia é uma presença viva na vida dos cristãos católicos. Muitos ainda pensam que a Eucaristia é apenas um símbolo ou uma lembrança de Jesus”, destacou.
Frei Edison ressaltou que Santo Antônio sempre combateu essa ideia com a firmeza de sua teologia e a eloquência de seus sermões. Para ele, na Santa Missa acontece a transubstanciação, quando o pão e o vinho se transformam verdadeiramente no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O sacerdote também destacou dois aspectos centrais da teologia eucarística de Santo Antônio. O primeiro é a humildade divina: o mesmo Deus que criou o universo esconde sua glória sob as simples aparências do pão e do vinho para habitar em nossos corações. O segundo é a assimilação mística: enquanto o alimento comum se transforma em sustento para o corpo humano, na Eucaristia acontece o contrário; ao recebermos o Corpo de Cristo, somos nós que nos transformamos Nele.
Para ilustrar o amor de Santo Antônio pela Eucaristia, Frei Edison recordou um dos milagres mais conhecidos do santo. Na cidade de Rimini, um homem chamado Bonovillo zombava da doutrina da presença real de Cristo na Eucaristia, afirmando que a hóstia consagrada era apenas um pão comum. Santo Antônio então lhe propôs um desafio.
O homem deveria deixar sua mula sem alimento por três dias. Ao final desse período, diante de uma multidão reunida na praça, Bonovillo apresentou ao animal uma cesta cheia de cevada fresca, enquanto Santo Antônio segurava um ostensório com a hóstia consagrada.
Voltando-se para a mula, o santo disse: “Em nome daquele Criador que, embora indignamente, trago em minhas mãos, ordeno-te que venhas imediatamente prestar reverência ao teu Senhor”.
O animal faminto ignorou completamente a cevada e aproximou-se do ostensório. Em seguida, dobrou as patas dianteiras e inclinou a cabeça até o chão em sinal de profunda adoração. Diante daquele testemunho, Bonovillo converteu-se imediatamente.
“Se até uma criatura irracional reconheceu seu Criador na Hóstia Santa, como nós podemos nos aproximar do altar de forma distraída ou indiferente?”, questionou o sacerdote.
O frei recordou que o pão eucarístico que partilhamos exige reverência, adoração e conversão. Não devemos participar da Missa por mero costume. Ao respondermos “Amém” diante do Corpo de Cristo, nossas vidas também precisam se curvar diante da soberania do Senhor. A comunhão deve nos transformar em canais da graça de Deus em nossas famílias, na sociedade e na comunidade paroquial.
“A Eucaristia deve produzir frutos de amor, bondade e fraternidade em um mundo marcado pela violência, pelas guerras e até mesmo pelo uso inadequado das tecnologias, que muitas vezes nos afastam uns dos outros. Cristo vem ao nosso encontro e permanece presente. É uma presença viva, repleta de amor, um amor pleno, verdadeiro e incondicional, que se faz pão e vinho por amor. Esse amor deve transformar cada batizado em um discípulo comprometido com a fraternidade, a justiça e a paz, não apenas individualmente, mas também em ações concretas na família, na sociedade e na Igreja”, prosseguiu.
Ao concluir sua homilia, Frei Edison afirmou: “Hoje, na Solenidade de Corpus Christi, tenhamos a certeza do quanto Deus nos ama por meio de seu Filho, presente verdadeiramente na Eucaristia. Que possamos, como Santo Antônio, reconhecer na Eucaristia a força do amor, da caridade e da esperança. Depositemos diante do Senhor tudo aquilo de que nosso coração necessita. Que, ao recebermos este alimento divino, sejamos fortalecidos pelo amor, pela verdade, pela fraternidade e pela promessa da vida eterna. Que Deus nos conceda essa graça pelo seu santo Espírito, que habita em nossos corações e nos alimenta com seu amor”.
Após a comunhão, os fiéis acompanharam o Santíssimo Sacramento em procissão pelas ruas do bairro. Ao retornarem à Basílica, receberam a bênção do Santíssimo, encerrando com fé e devoção a celebração da Solenidade de Corpus Christi e o 5º dia da Trezena de Santo Antônio.