Basílica Menor de Santo Antônio do Embaré

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Diocese de Santos

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Legado espiritual de Santa Clara e seu despojamento evangélico
BASÍLICA 12-08-2026

A Família Franciscana celebra com grande alegria o dia 11 de agosto, quando faz memória de Santa Clara de Assis, a Dama dos Pobres. Em nossa Basílica do Embaré, os irmãos da Ordem Franciscana Secular, unidos à Comunidade, celebraram a “plantinha de São Francisco”, em Missa Solene presidida pelo pároco e reitor Frei José Edison Biazio.
Ao iniciar sua reflexão, o sacerdote lembrou que Santa Clara é “o farol da pobreza e do amor, apaixonada por Cristo”. Frei Edison destacou que as leituras escolhidas para a celebração se entrelaçam perfeitamente com a vida da santa e revelam o caminho do despojamento que conduz à verdadeira união com Deus.
“A primeira leitura, do profeta Oseias, juntamente com o salmo que cantamos, nos traz uma das imagens mais belas das Sagradas Escrituras: Deus que atrai a alma para o deserto para falar ao seu coração”, afirmou.
Segundo o frei, Clara compreendeu esse chamado. Deixou o conforto de uma família nobre para entrar no deserto da pobreza evangélica. No silêncio do mosteiro de São Damião, livre das distrações do mundo, ela escutou a voz de seu Amado.
“Como diz o salmo: ‘Escuta, minha filha, olha, presta atenção; esquece o teu povo e a casa de teu pai’. Clara ouviu esse convite e vestiu os tecidos rústicos da penitência, mas, por dentro, estava adornada com a beleza da santidade para o Rei dos reis”, ressaltou.
Ao comentar a segunda leitura, frei Edison explicou que São Paulo nos lembra que “trazemos esse tesouro em vasos de argila”. A fragilidade humana é o vaso, a graça de Deus, o tesouro.
Santa Clara viveu grande parte de sua vida sob o peso da enfermidade, muitas vezes confinada ao leito. Humanamente, era um vaso de argila frágil. No entanto, foi justamente em sua fraqueza que o poder de Deus se manifestou plenamente. Clara não fixava o olhar apenas nas realidades visíveis, na dor física ou na ausência de bens materiais, mas nas realidades invisíveis. Sua vida demonstrou que, mesmo quando o corpo se enfraquece, o ser interior pode renovar-se a cada dia.
“O coração interior de Clara se renovava inteiramente, como nos diz o Evangelho, quando Jesus afirma: ‘Permanecei em mim e eu permanecerei em vós’. Ela permaneceu nele, e Jesus permaneceu com ela. Para Santa Clara, a clausura não era uma prisão, mas o lugar teológico de permanência na videira. Ela sabia que, para o mundo dar frutos de paz e conversão era preciso que alguém estivesse intimamente ligado à seiva de Cristo por meio da oração contínua”, afirmou o sacerdote.
Frei Edison ressaltou ainda que o segredo dessa permanência em Cristo é a alegria. “Jesus conclui: ‘Disse-vos estas coisas para que a minha alegria esteja em vós’. Clara era profundamente alegre, sua pobreza extrema não gerava amargura, mas liberdade. Quem tem Cristo tem tudo e nada mais lhe falta”, destacou.


 


Olhar contemplativo de Santa Clara


 


O sacerdote também afirmou que um dos grandes legados espirituais de Santa Clara era o seu olhar contemplativo e seu amor ao Altíssimo, vivido no despojamento. Ela costumava aconselhar suas irmãs a contemplarem diariamente o “espelho” da cruz, para reconhecerem ali a pobreza, a humildade e a caridade de Jesus.
Frei Edison recordou ainda um episódio marcante da vida da santa. Quando o mosteiro de São Damião foi ameaçado por soldados, Clara não recorreu às armas humanas. Levou o Santíssimo Sacramento e, em oração, colocou sua confiança em Cristo, a força da Eucaristia afugentou os invasores. “Ela nos ensina que a nossa única segurança deve estar em Cristo”, lembrou.
Ao concluir sua reflexão, o sacerdote convidou a comunidade a seguir o exemplo de Santa Clara: “Inspirados por Santa Clara, saibamos purificar os nossos corações na videira verdadeira. Não tenhamos medo dos nossos desertos nem da nossa fragilidade de argila, pois é neles que o Senhor nos despoja e faz brilhar a sua graça”.
Santa Clara encontrou seu amor, encontrou o Evangelho e tornou-se também palavra viva de Cristo. “Ela dizia: ‘Nunca perca de vista o seu ponto de partida’. Ao partir ao encontro de Cristo, encontrou o seu Amado, permaneceu em seu amor e seu amor permaneceu nela”, prosseguiu.
Por fim, Frei Edison pediu a intercessão de Santa Clara para que, a exemplo dela, os cristãos possam testemunhar o Evangelho e iluminar a Igreja, as famílias e a sociedade com o amor, a fraternidade, a justiça e a paz.
“Santa Clara, interceda por nós junto ao seu Amado, Jesus Cristo, para que possamos também, pelo Evangelho, iluminar a humanidade, a Igreja e nossas famílias no amor, na fraternidade, na justiça e na paz”, concluiu.
Ao final da celebração, foi distribuído aos fiéis o tradicional pão de Santa Clara. Em seguida, os irmãos da Ordem Franciscana Secular convidaram a comunidade para uma pequena confraternização em honra à santa, encerrando com alegria a celebração de sua festa.

Santa Clara de Assis 2026
12-08-2026
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