Se navegar é preciso... Namorar também é
Todo grande amor começa com um grande romance, não é verdade? Romance é uma das tantas palavras mágicas que fazem parte do universo amoroso e seu simples enunciado já nos transmite uma idéia de afetividade e calor. Para alguns casais, o clima romântico ainda alimenta a vida a dois mesmo que já tenha se passado muito tempo do começo da relação. Eles conseguem manter o mesmo clima amoroso do início.
No entanto – e infelizmente - isso não é regra geral. É sabido que o romantismo entre alguns casais tende a cair com o passar do tempo. Porque gradualmente o tempo tende a acabar com o clima de atração e sedução do início? Sabe-se que uma das grandes causas é a rotina, mas há outras, com certeza. Uma delas é a imaturidade de um dos parceiros. Para parceiros emocionalmente imaturos, o entusiasmo pela relação só sobrevive enquanto a conquista não se consuma. Esses parceiros (eles ou elas) tratam a relação como se fosse um jogo, um desafio, no qual o que realmente importa é vencer, subjugar, mas sem se envolver. Então, todo o empenho em parecer sedutor, gentil, atencioso, romântico desaparece em pouco tempo, tão logo tenha a certeza de que “venceu” o jogo da conquista.
Descuidar da imagem — tanto física como comportamental — também tem se revelado uma causa freqüente do esfriamento do romance. Sabe-se que, dentre outros atrativos, o visual é um forte componente no processo de conquista. Se, depois de algum tempo, não houver mais empenho na conquista, também não haverá maior preocupação com a imagem. Surgem então cabelos maltratados, roupas desalinhadas,
“protuberâncias abdominais”, odores desagradáveis, dentes malcuidados, hábitos e procedimentos antiestéticos, grosseiros e até anti-higiênicos! Ou seja, um total desrespeito a si próprio e ao parceiro. Não há romance que resista a tanta falta de cuidados.
Por maior que seja a nossa consciência de sermos seres falíveis, o amor cria em volta dos parceiros uma aura mágica de fantasia, encanto e charme. E isso deve e pode ser mantido, apesar do tempo.
Não são as varizes, celulites, rugas e cabelos brancos que desgastam o romance; ao contrário, eles acrescentam o sentimento de perpetuação da relação. Essas marcas que o corpo adquire com o tempo, representam uma forma de registro da história de uma vida.
Todo casal tem uma missão que requer algo mais do que apenas amar bastante. O romance, para ser mantido, exige criatividade, empenho e, sobretudo, motivação para conquistar, diariamente, seu parceiro. Isso não será difícil para quem realmente ama. Sempre haverá rosas que serão bem-vindas, sempre haverá um telefonema carinhoso e inesperado, espelhos onde poderão ser grudados bilhetes românticos. Quando houver vontade, pode-se plantar ternura em todos os lugares por onde passamos. A natureza nos dá demonstrações de ternura que podemos dividir com a pessoa amada: luar, noites estreladas, sol, mar, cachoeira, chuva, cheiro de grama molhada, orvalho; basta estarmos receptivos e sabermos reconhecer essas mensagens da vida.
Portanto, se o clima de romance diminuiu muito ou até desapareceu, o casal deve conversar a respeito para tentar uma renovação, um recomeço. Para que o amor continue bastante, é preciso que o casal continue agindo como namorados. Que se façam cada dia mais bonitos e sedutores um para o outro. Que se conquistem outra vez com propostas atraentes e criativas. Que se lembrem de que a idade não é impedimento para nada, em matéria de amor. Respeitados os limites da ética e da legalidade, em qualquer momento de nossas vidas podemos fazer tudo que a nossa mente conceber, nossos valores permitirem e o corpo puder operacionalizar, desde que isso contribua para o bem-estar do casal. Mas se a mente estiver bloqueada por valores ultrapassados ou por crenças preconceituosas, o corpo não receberá nenhum comando ou permissão para agir – e nada acontecerá.
Para casais que já agem assim, não tenho outra palavra a não ser: “Parabéns”! Vocês são pessoas especiais. Vocês estão provando que o amor bastante é viável - desde que façamos algo mais do que apenas amar bastante.
Floriano Serra
é psicólogo clínico e organizacional
Fonte: Portal da Família