Basílica Menor de Santo Antônio do Embaré
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Diocese de Santos
O Terço dos Homens celebrou, no dia 9 de setembro, dois anos de caminhada, com alegria, fé e gratidão. As comemorações tiveram início com a oração do Santo Terço, seguida da Santa Missa, presidida pelo nosso pároco e reitor, Frei José Edison Biazio.
Aos pés de Nossa Senhora, os homens do Terço consagraram esses dois anos de caminhada e pediram um coração simples e aberto para acolher a vontade de Deus e servir aqueles que mais precisam. Também confiaram à Mãe de Jesus o desejo de que a alegria do Evangelho permaneça acesa no coração de cada participante, para que todos possam se tornar sinais de esperança no mundo.
Durante sua reflexão, Frei Edison destacou que o Terço, uma das devoções marianas mais populares e acessíveis da Igreja Católica, está diretamente ligado à história do Santo Rosário. O Terço corresponde a uma parte do Rosário, cuja tradição foi se formando ao longo dos séculos.
Segundo o sacerdote, uma das raízes dessa prática de oração remonta aos séculos X e XI, quando os monges tinham o hábito de rezar diariamente os 150 salmos da Bíblia. Como muitos leigos e até religiosos eram analfabetos e não compreendiam o latim, foram autorizados a substituir os salmos pela recitação de 150 Pai-Nossos. Para facilitar a contagem das orações, utilizavam grãos, pedrinhas ou nós em cordões, conhecidos como cordões de preces.
“A transição para a devoção mariana aconteceu no século XII. Com o tempo, a recitação dos Pai-Nossos passou a ser intercalada ou substituída por uma saudação a Nossa Senhora, baseada nas palavras do anjo Gabriel e de Santa Isabel. A prática de rezar 150 Ave-Marias ficou conhecida como o Saltério de Maria ou Rosário, em alusão ao costume da época de oferecer coroas de rosas às rainhas e, de modo especial, à Rainha do Céu, Nossa Senhora”, explicou.
Frei Edison também recordou a tradição segundo a qual, em 1214, a Virgem Maria teria aparecido a São Domingos de Gusmão e lhe confiado o Rosário. A partir dessa tradição, os frades dominicanos tiveram papel importante na estruturação e difusão dessa oração como instrumento de evangelização.
Dentro da vida da Igreja, é uma oração singela e profundamente evangelizadora, porque não rezamos apenas as Ave-Marias: meditamos os mistérios de Jesus Cristo. Evangelizamos por meio dos mistérios”, ressaltou Frei Edison.
“Como uma ferramenta pedagógica e espiritual para a evangelização, os frades dominicanos estruturaram e propagaram essa oração, dividindo as Ave-Marias em dezenas e associando cada uma delas à meditação de um mistério da vida de Jesus. Isso facilitou o ensino da fé ao povo simples”, afirmou.
O sacerdote explicou ainda que o Rosário, originalmente associado às 150 Ave-Marias, foi tradicionalmente organizado em três conjuntos de mistérios: gozosos, dolorosos e gloriosos. Os fiéis passaram a rezar uma dessas partes por dia. Essa terça parte do Rosário, composta por 50 Ave-Marias, ficou conhecida como terço.
No século XV, a oração da Ave-Maria recebeu sua forma completa, com a inclusão da segunda parte — “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós” — e a menção ao nome de Jesus. Já em 2002, o Papa São João Paulo II, na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, propôs a inclusão dos Mistérios Luminosos, dedicados a acontecimentos da vida pública de Jesus. Com isso, o Rosário passou a contemplar quatro conjuntos de mistérios.
Para o sacerdote, o verdadeiro sentido do Terço está na meditação dos mistérios de Cristo e na transformação da própria vida. “Não basta apenas rezar as Ave-Marias. É preciso meditar os mistérios de Jesus. O mistério que envolve o Terço precisa nos levar à compreensão e à conversão. Primeiro, à evangelização do nosso próprio espírito, para que depois possamos evangelizar os outros e produzir os frutos necessários para a conversão”, afirmou.
Frei Edison reforçou que a oração do Terço conduz o fiel a uma experiência cada vez mais profunda com Cristo, por meio da intercessão de Maria.
“É preciso aprender a meditar o mistério. A Ave-Maria a gente decora, mas o mistério a gente esquece”, disse.
Ao refletir sobre a missão de Maria, o sacerdote recordou o episódio das Bodas de Caná, quando Jesus realiza o primeiro sinal público de sua vida, transformando água em vinho. Para Frei Edison, as palavras de Maria — “Fazei tudo o que Ele vos disser” — sintetizam o caminho de quem reza o Terço.
“Maria nos leva a um único caminho: ao coração de seu Filho, Jesus Cristo. Em cada mistério que envolve a vida de Jesus existe um chamado à nossa conversão e à nossa evangelização. Maria nos diz: Fazei tudo o que Ele vos disser. E aquilo que Jesus nos pede deve ser colocado em prática na nossa vida pessoal, familiar e na sociedade”, afirmou.
O sacerdote pediu ainda que o Espírito Santo acompanhe os participantes nessa caminhada de oração, para que a paz, a justiça e a fraternidade possam florescer na Igreja e em todos os ambientes onde os cristãos estiverem presentes.
“Maria tem muitos títulos, mas, independentemente de qual deles utilizemos, é importante compreender que ela é Maria de Nazaré, a cheia de graça. A graça de Maria é nos levar ao coração de seu Filho, Jesus Cristo”, prosseguiu.
Ao concluir, Frei Edison deixou uma mensagem especial para esse grupo do terço: “Que esses dois anos de caminhada tragam experiências cada vez maiores de ouvir aquilo que Maria nos diz: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’. Que a graça de Maria nos conduza sempre ao coração de seu amado Filho, Jesus Cristo”.